"Seja um
poema, uma tela, ou o que for, não procure ser diferente.
O segredo está em ser indiferente."
Mário Quintana
[[[
RETRATO 3 X 4 ]]]
::
amor ::
::
dia ::
::
ansiedade ::
::
cinismo ::
::
cartas ::
::
poesia ::
::
timidez ::
::
realidade ::
::
solidão ::
::
cinema ::
::
vida ::
::
otimismo ::
::
melancolia ::
"Agora
sou um só, o mais forte, aquele que pode dizer sem medo
e responder quando perguntado - EU"
Aguinaldo Silva
[[[
LITERATURA ]]]
::
Caio F. Abreu
::
::
J. Cortazár
::
::
Fernando Pessoa
::
::
Eugénio de Andrade
::
::
Mario de Sá-Carneiro
::
::
Oscar Wilde
::
::
Clarice Lispector
::
::
Miguel Torga ::
::
Nick Hornby ::
[[[
CINEMA ]]]
::
Woody Allen
::
::
Denys Arcand
::
::
Charlie Kaufman
::
::
Pedro Almodóvar
::
::
Johnny Deep
::
::
Diane Keaton
::
::
John Cusack ::
[[[
MÚSICA ]]]
::
Chico Buarque ::
::
Brahms
::
::
Moska
::
::
Maria Bethânia
::
::
Ná Ozzetti
::
::
Cazuza ::
::
Zeca Baleiro
::
::
Chico César ::
::
Aimee Mann ::
::
Cartola ::
::
Caetano Veloso ::
"Agradeço
essa injustiça, essa afronta que me despertou, e cuja sensação
viva lançou-me também tamanha força e tamanho gosto por
meu pensamento que, por fim, meus trabalhos tiveram o benefício
de minha cólera; a busca de minhas leis tirou proveito do
incidente"
Eu só quero saber em qual rua
Minha vida vai encostar na tua
Encostar Na Tua
Por mais que eu durma eu não descanso
Por mais que eu corra eu não te alcanço
Mas não tem jeito eu não sei como esperar
Desesperar também não vou
Não vou deixar você passar
Como água escorrendo nos dedos
Fluindo pra outro lugar
Dois Bicudos
O sol me reconforta e eu ando só
E sei que você anda por aí
Eu nunca mais te vi ao meu redor
Nem sei se me encontrei ou te perdi
Só Fala Em Mim
Atirei outra pedra na sua janela
Uma que não fez o menor ruído
Não quebrou, não rachou, não deu em nada
E eu pensei: talvez você tenha me esquecido
É Mágoa
Tantos caminhos sem fim
De onde você não vem
Meu coração na curva
Batendo a mais de cem
Vou voltar
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar pra trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar
Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor, eu vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar
Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar
Pode ser
Que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera.
Espera
Me espera
Eu vou voltar
Passamos a vida inteira à espera de uma pessoa que nos diga
algo de fundamental, e quando percebemos vagamente que talvez
ela já nos tenha procurado, não podemos deixar de concluir
com amargura que nós não a soubemos ouvir, e muito menos
identificar. Esperávamos sem estar preparados para a espera.
E por acaso, essa pessoa foi talvez a única a que humilhamos.
Esse olhar parado
sem hoje nem passado
Esse olhar sem espera
como canto preso
em boca entreaberta
Esse olhar cansado
desfeito
sem jeito
não grita
não chora
Esse olhar desarmado
como barco sem leme
Existe
Não posso ignorá-lo!
Esse olhar : Eugénia Tabosa
Só uma parte de mim compreende
Que a voz dos teus olhos
É mais profunda que todas as rosas
e e cummings
O seu olhar lá fora
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu
O seu olhar seu olhar melhora...
Melhora o meu.
O Seu Olhar : Arnaldo Antunes
Esse seu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar é pensar que você
Gosta de mim como eu de você
(...)
Ah, se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos
Por acaso, surpreendo-me no espelho:
Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (...)
Parece meu velho pai - que já morreu! (...)
Nosso olhar duro interroga:
"O que fizeste de mim?" Eu pai? Tu é que me invadiste.
Lentamente, ruga a ruga... Que importa!
Eu sou ainda aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra,
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra!
Vi sorrir nesses cansados olhos um orgulho triste...
Espelho : Mário Quintana
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas, e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Retrato : Cecília Meireles
Eu não tenho mais a cara que eu tinha,
No espelho essa cara náo é minha.
Mas é que quando eu me toquei, achei tão estranho,
A minha barba estava desse tamanho.
Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar.
Não Vou Me Adaptar : Titãs
É contra mim que luto.
Não tenho outro inimigo.
O que penso,
O que sinto,
O que digo
E o que faço,
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço.
Absurda aliança
De criança
E adulto,
O que sou é um insulto
Ao que não sou;
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou.
Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido,
Nem convencido.
E agrido em mim o homem e o menino.
Miguel Torga
Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
Que quem sou e quem fui
São sonhos diferentes.
Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada
Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.
Senta-se ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.
Ricardo Reis
Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!
Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio.
O escorpião vinha fazer um pedido:
"Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?"
O sapo respondeu: "Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralizado e vou afundar."
Disse o escorpião: "Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos."
Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio.
No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo.
Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: "Por quê? Por quê?"
E o escorpião respondeu: "Por que sou um escorpião e essa é a minha natureza."
Eu queria ter tipo um campo pra jogar com todos os meus amigos.
Eu queria ter tipo uma vida menos corrida.
Eu queria ter uma vida menos confusa.
Eu queria acordar vendo uma cachoeira, todo dia.
Eu queria poder tomar banho nela quando quisesse.
Eu queria poder parar de procurar o amor.
Eu queria poder dormir abraçadinho com alguém.
Eu queria poder morar dentro daquela musica do John Lennon.
Eu queria poder abrir a janela e olhar grandes montanhas forradas de verde.
Eu queria poder dizer que sou feliz.
Eu queria poder dar aula numa escolinha no interior, pra um monte de criança inocente.
Eu queria ter tipo uma mensagem que fizesse as pessoas desistirem de carrões, de grandes sonhos de consumo.
Eu queria ter tipo o poder de convencer que as pequenas coisas são as mais gostosas.
Eu queria ser tipo mais compreensivo.
Eu queria ser tipo mais amigo.
Eu queria ser tipo um morador de uma casinha dentro de um cenário qualquer.
Eu queria ser tipo um menino brincando de Falcon novamente.
Eu queria acordar só mais um dia vendo meu pai e minha mãe juntos.
Eu queria poder dizer a eles que estou indo bem na escola da vida.
Eu queria ter participado mais da vida familiar.
Eu queria ter podido dar mais condições a eles.
Eu queria poder trocar o que conquistei por um único olhar daquela menina.
Eu queria que minhas poesias a conquistassem.
Eu queria que pessoas como o Renato e o Cazuza tivessem tido o que tanto cantavam, o amor.
Eu queria ter conhecido o Plínio Marcos, o João Antônio, o Raul Seixas e o Chico Science.
Eu queria estar escrevendo o que eu queria ter um dia.
Eu queria ter nascido num cenário do Star Wars.
Eu queria ter conhecido a Emilia e o Visconde.
Eu queria ter um poço de pesca pra mim e pros meus amigos.
Eu queria ter tipo um máquina do tempo, para poupar tanto sofrimento.
Eu queria ter uma cabana, com gelo no teto e arvores em volta.
Eu queria nem saber o que é dinheiro.
Eu queria ser tipo um cara conquistador.
Eu queria ter a certeza que conquistadores são felizes.
Eu queria saber cantar.
Eu queria ser tipo um viajante.
Eu queria acordar com um grande café da manhã na minha cama.
Eu queria registrar aquele sorriso naquele dia para sempre.
Eu queria poder saber o que será do meu povo amanhã.
Eu queria poder saber porque ela não conseguiu ficar ao meu lado.
Eu queria saber a fórmula de um grande sucesso.
Eu queria saber porque a fórmula do fracasso é agradar todo mundo.
Eu queria ter um robozinho daqueles de plástico que minha mãe me dava em datas especiais.
Eu queria ver meu pai chegando e fingir que estava dormindo novamente.
Eu queria saber dizer mais coisas agradáveis.
Eu queria que todos comemorassem o Natal de verdade.
Eu queria um dia poder voar como um pássaro.
Eu queria ser tipo uma frota contra o mal.
Eu queria saber o que é o mal.
Eu queria ser tipo um cara em que as idéias valessem algo.
Eu queria ser tipo um cara que deixou algo pra alguém.
Eu queria poder mostrar aquele momento em que o menino dividiu com todo mundo o pão velho que comia numa viela.
Eu queria poder entender como os engravatados podem comer numa mesa onde o almoço é mais caro que o salário da maioria dos brasileiros e mesmo assim dormem tranqüilos.
Eu queria ser tipo um cara ingênuo, a ponto de acreditar em Papai Noel, duendes e na polícia.
Eu queria ser tipo um cara sem insônia, sem gastrite, sem dores tão fortes na alma.
Eu acho que ainda queria ser só um desenhista.
Eu acho que ainda queria ser só alguém num mundo legal.
Eu acho que ainda queria ser aquele menino que não via as coisas como elas eram.
Eu acho que ainda queria ser aquele chato que sempre levantava a mão primeiro na hora das perguntas.
Eu acho que ainda queria ser mais um da turma.
Eu acho que ainda queria brincar de banca de gibis com minha irmã.
Eu acho que ainda queria ser aquele menino que andava de banca em banca procurando aventuras em quadrinhos.
Eu acho que ainda queria ter a esperança boba de achar que poderia fazer a diferença nessa bagunça de mundo.
Eu acho que vou dormir.
Eu também acho que amanhã bem cedo vou procurar realizar pelo menos algo disso tudo, e você o que acha?
sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.
sempre quis uma amor que elaborasse
que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.
sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.
sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.
sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.
sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
sempre quis um amor
que não se chateasse
diante das diferenças.
agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.
contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
sempre quis um amor
de abafar,
[não o caso]
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
sem senãos.
sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.
sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.
sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
sempre quis um amor não omisso
e que sua estórias me contasse.
ah, eu sempre quis uma amor que amasse.
assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar,
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa parecida com você
parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido,
mas ia viver um dia
alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido
alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido
agora não tem mais jeito,
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu
que virei alguma coisa
tua
Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu fi-lo perfeitamente,
Para diante de tudo foi bom
bom de verdade
bem feito de sonho
podia segui-lo como realidade
Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu sei-o de cor.
Até reparo que tenho só esperança
nada mais do que esperança
pura esperança
esperança verdadeira
que engana
e promete
e só promete.
Esperança:
pobre mãe louca
que quer pôr o filho morto de pé?
Esperança
único que eu tenho
não me deixes sem nada
promete
engana
engano que seja
engana
não me deixes sozinho
esperança.
Adormeço
Você é o cheiro que ficou de nós
eu respiro pós
dos sonhos
eu latejo
eu planejo
eu oro.
Por que você, tão jovem, está emprestando tanta tristeza a um poema onde não há tristeza? Por que este tom de despedida onde só há encontro, esse tom fúnebre onde não há morte?
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo do doer daquele corte
do haver sangrento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas
Há porradas que não têm saída
há um monte de "não era isso que eu queria".
PRECISO DIZER QUE TE AMO (Cazuza/Dé/Bebel Gilberto)
Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, (que medo...)
Eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que te amo tanto...
E até o tempo passa arrastado
Só prá eu ficar ao teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo, (que amigo...)
Que eu preciso dizer que te amo,
Te ganhar ou perder sem engano
Que eu preciso dizer que eu te amo, tanto.
Se eu soubesse que o olhar de toda a gente
Te via, por milagre, repelente,
Que fugiam de ti como da peste...
Nem assim abrandava o meu ciúme,
Que é afinal o natural perfume
Da flor do grande amor que tu me deste.
Reinaldo Ferreira
Nenhum amor feneceu em razão do ciúme, pois ele é que faz juntar um fogo a outro fogo.
Fernandes de Leon
Da raivosa paixão que resulta do ciúme, só os ciumentos podem falar adequadamente. E será que mesmo os que a padecem são capazes de explicá-la? Como a devem rotular: Loucura furiosa? Inferno confuso? Verdugo do coração?
Quevedo
Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade: sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum.
Eu nunca mais quero outra vida
É, eu ando um bocado mudado
Eu nunca mais quero outra vida, eu não
Olha só como eu tô bem tratado
É que os tempos mudaram
E agora eu ando muito bem acompanhado
(É, eu ando, sim)
Eu nunca mais quero outra vida
Jogado na rua feito um vira-lata
O amor um dia chega, irmão
Mesmo pr'um cara pirado
Que só sabe ficar bebendo pinga
Cantando rock, contando vantagem
Agora a gente só vive grudado
Pela rua aos beijos e abraços
Todo mundo repara
E mesmo os meus amigos mais canalhas
Me dão razão quando eu falo
Que eu nunca mais quero outra vida
Me machucar pela pessoa errada
O amor tem cartas já marcadas
E eu nunca tive vocação pra otário
É, os tempos mudaram
E agora eu ando muito bem acompanhado
Para que fique marcado
no peito desta manhã
fundo e cruel desespero:
não é minha esta palavra
que seca a minha garganta
e os lábios ousa morder-me
Quero que fique marcado
no rosto desta manhã
o vinco do meu cansaço
que me rompe e me arremessa
contra as paredes do mundo.
Não é meu o desencanto:
algum vampiro traiçoeiro
sangrou esta madrugada.
É preciso que se marque
no corpo desta manhã
numa palavra, uma fúria
que do vento rasgue a túnica
que rompa o emparedado
de um tempo nu sem mordaça
que grite o meu desespero.
Oh que largas noches de asombro!
Entre algunos días
de um septiembre amargo estoy.
Estoy entre la muerte
trágica venida
y la vida sufrida
y condenada.
Oh que terribles horas sin reloj!
Entendo ou não entendo nada?
Estendo a mão sem dar um beijo?
Escrevo as últimas palavras?
Enfrento ou finjo que não vejo?
Espelho meu desiste dessa cara
Esqueço ou fico com desejo?
Espero mais ou devo apagá-la?
Entrego a ela todos os segredos
E ela que era tudo para mim
Foi tudo para mim
Eu e Ela : Nando Reis
Me dê notícia de você
Eu gosto um pouco de chorar
A gente quase não se vê
Me deu vontade de lembrar
Me leve um pouco com você
Eu gosto de qualquer lugar
A gente pode se entender
E não saber o que falar
Seria um acontecimento
Mas lógico que você some
No dia em que o seu pensamento
Me chamou
Eu chamo seu apartamento
Não mora ninguém com esse nome
Que linda cantiga do vento
Já passou
A gente quase não se vê
Eu só queria me lembrar
Me dê notícia de você
Me deu vontade de voltar
Cadê Você? : Chico Buarque / João Donato
Onde você anda
Onde está você
Toda vez que saio
Me preparo para talvez te ver
Na verdade eu preciso esquecer
Não é fácil, não é fácil
Não é Fácil : Marisa Monte
Aí, diz o meu coração
Que prazer tem bater
Se ela não vai ouvir
Aí, minha boca me diz
Que prazer tem sorrir
Se ela não me sorrir também
Desenho de Giz : João Bosco / Abel Silva
Hey, babe
Que bom te ouvir!
Já faz quase um ano.
Mesmo sem poder te ouvir
Mesmo que eu não possa ouvir sua voz
Não faz mal.
Não me faz tão mal.
As pessoas com as quais você atualmente convive são amorosas, compreensivas, inteligentes, excitantes, audaciosas, livres, saudáveis, delicadas, sensíveis, independentes, e cheias de entusiasmo pela vida? São?! Porque, se assim não forem, responda-me: - O que é que você continua fazendo aí?
(...) se o examinávamos com a nossa inteligência, e não apenas com a nossa vibratilidade, logo víamos que, infelizmente, tudo se cifrava nessa auréola, que o seu gênio - talvez por demasiado luminoso - se consumiria a si próprio, incapaz de se condensar numa obra - disperso, quebrado, ardido. E assim aconteceu, com efeito. Não foi um falhado porque teve a coragem de se despedaçar.
eu não sei dizer
o que quer dizer
o que vou dizer
eu amo você
mas não sei o que
isso quer dizer
eu não sei porque
eu teimo em dizer que amo você
se eu não sei dizer
o que quer dizer
o que vou dizer
se eu digo pare
você não repare
no que possa parecer
se eu digo siga
o que quer que eu diga
você não vai entender
mas se eu digo venha
você traz a lenha
pro meu fogo acender