"Seja um
poema, uma tela, ou o que for, não procure ser diferente.
O segredo está em ser indiferente."
Mário Quintana
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"Agora
sou um só, o mais forte, aquele que pode dizer sem medo
e responder quando perguntado - EU"
Aguinaldo Silva
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"Agradeço
essa injustiça, essa afronta que me despertou, e cuja sensação
viva lançou-me também tamanha força e tamanho gosto por
meu pensamento que, por fim, meus trabalhos tiveram o benefício
de minha cólera; a busca de minhas leis tirou proveito do
incidente"
Esqueletos procurando se aquecer
e ninguém tem motivos para dar carinho a eles.
Meu Deus, ninguém tem motivos...
E eu não os tenho para viver.
Há dias que não faz sol,
os esqueletos se trancam no quarto e se abraçam,
mas ninguém tem motivos para dar carinho.
Eles não precisam, ninguém precisa.
Talvez precisassem de motivos...
Talvez tristeza,
um pouco só.
Mas a chuva passa e os esqueletos retornam ao pátio,
e eu estou triste a ponto de querer carinho.
Meu Deus, ninguém tem motivos!
Eu bem que avisei
Sou estranho
Não chegue tão perto assim
Vai por mim
Você fez que não ouviu
Tomou de conta
Fez de conta que era charme alfenim
Ai de mim
Agora quero ir embora
Embora não deseje o fim
Vai por mim
Depois que eu descobri que era triste
as tardes ficaram mais azuis
eu descobri. Eu sou triste
depois que eu levei porrada
que os urubus se mostraram
depois da ingenuidade
entrei numa fase estranha
não reviro cores
não explodo a luz
estou sentado esperando
como os velhos palhaços do blues
o namorado que levou um bolo
um garoto perdido dos pais.
Sirva-se de mais um drinque,
a felicidade não estará no gelo,
mas quem sabe?
Aliás, quem sabe você não a
encontra no próximo gole?
Lembre-se, também, de sorrir
quando acenderem o teu cigarro
e de não deixar a chama iluminar
o descaso que você tem em viver.
Toda menina baiana tem um santo, que Deus dá
Toda menina baiana tem encanto, que Deus dá
Toda menina baiana tem um jeito, que Deus dá
Toda menina baiana tem defeito também, que Deus dá
Você é má (...). Você é uma egoísta sem fim. Você acha que o mundo gira em torno de você. (...) você é a pessoa mais egocêntrica que já conheci. Eu suporto as suas crises, tenho tentado fazer você enxergar a vida de uma maneira mais leve, e você sempre com um prazer mórbido, sempre deixando no ar a possibilidade de se matar. Eu não agüento mais essa sobrecarga nos meus ombros. (...) Eu acho você uma egoísta escrota. Quer uma biografia desgraçada pra aumentar sua genialidade. Porque você não é nenhum Van Gogh. Você se faz de maluca, mas jamais arrancaria uma orelha. Você é covarde. Mesquinha. É uma carente. O Van Gogh não era "carente". Você quer receber lisonjas. Só que você nunca faz lisonjas pra ninguém, com você não há troca. (...)
Um redemoinho de erros
Levantou os móveis do amor
Quebrou o jarro, molhou
O tapete com a água
Das flores
Fez-se um balé de
Poeira e tules
Estragou o jardim
Estraçalhou a cristaleira
E jogou no chão, entre
Cacos, os dois corações
Equivocados
Mas a minha culpa não se estriba em não haver-me separado de ti e sim em havê-lo feito muitas vezes. Durante todo o tempo abrangido por minha memória, cortei relações contigo de três em três meses, regularmente, e cada vez que tal sucedia, conseguiste (...) fazer-me mudar de tenção e deixar-te voltar para junto de mim.
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.