"Seja um
poema, uma tela, ou o que for, não procure ser diferente.
O segredo está em ser indiferente."
Mário Quintana
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RETRATO 3 X 4 ]]]
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"Agora
sou um só, o mais forte, aquele que pode dizer sem medo
e responder quando perguntado - EU"
Aguinaldo Silva
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LITERATURA ]]]
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Caio F. Abreu
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Cartola ::
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"Agradeço
essa injustiça, essa afronta que me despertou, e cuja sensação
viva lançou-me também tamanha força e tamanho gosto por
meu pensamento que, por fim, meus trabalhos tiveram o benefício
de minha cólera; a busca de minhas leis tirou proveito do
incidente"
Mister Superficial
Mister "I am so special"
Mister "Something's wrong"
Let me sing you a song!
Mister Unhappy and Angry
Mister Sad and Dissatisfied
Mister controlling and mind fucking
Grumpy and Complexity
Mister cool, mister often cruel
You're so unhappy and lonely
Always saying "something is wrong with me"
Well, something is wrong with you, man
because ever since it's over between you and I
I feel so... amazing!
Mister Unhappy...
Why didn't you let me be?
Yes, I received your letter yesterday
(...)
When you asked how I was doing
Was that some kind of joke?
All these people that you mention
Yes, I know them, they're quite lame
I had to rearrange their faces
And give them all another name
Right now I can't read too good
Don't send me no more letters no
Not unless you mail them
From Desolation Row
"Eu a amava, em suma. E era infeliz. Mas como poderia ela algum dia entender essa minha infelicidade? Há aqueles que se condenam ao
cinzento da vida mais medíocre porque tiveram alguma dor, alguma desgraça; mas há também aqueles que o fazem porque tiveram mais sorte do que poderiam suportar"
Sou daquelas almas que as mulheres dizem que amam, e nunca reconhecem quando encontram; daquelas que, se elas as reconhecem mesmo assim não as reconheceriam. Sofro a delicadeza dos meus sentimentos com uma atenção desdenhosa. Tenho todas as qualidades, pelas quais são admirados os poetas românticos, mesmo aquela falta dessas qualidades, pela qual se é realmente poeta romântico. Encontro-me descrito, (em parte), em vários romances como protagonista de vários enrdos; mas o essencial da minha vida, como da minha alma, é não ser nunca protagonista.
Engoli uma fumaça ( nunca vi igual aquela)
Fui correndo para casa (comer pão com mortadela)
Chegando na minha casa (mortadela la não tinha)
E fiquei empapussado ( de açucar com farinha)
A experiência me ensinou que, quando uma situação se torna confusa e incompreensível ao ponto de ter algo de sinistro, não se deve ir logo jogando a culpa no diabo antes de averiguar se não houve alguma mentira humana na origem da mixórdia toda. Como é da natureza da mentira ocultar-se a si própria, depois ocultar a ocultação e por fim apagar da memória todos os rastros da sua origem, não existe mentira isolada: há uma progressão geométrica de falsificações e aquilo que parecia uma toca de coelho acaba por se tornar uma cratera imensa, um abismo insondável.
Não que o diabo não tenha participação nenhuma na coisa, mas às vezes todo o seu trabalho consiste em inspirar a mentirinha inicial, deixando o resto da arquitetura abissal por conta da estupidez humana.
Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas,
a esperança é preservada.
Nas xícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir;
e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo,
mas eu quero você agora.
Eu te amo pelas tuas faltas,
pelo teu corpo marcado,
pelas tuas cicatrizes.
Pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo teu jogo triste.
As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria.
Mesmo fora de sí
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido
Se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.
Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo, quando,
sozinha, bordo mais uma toalha
de fim de semana.
Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.
Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis.
Amo teu sistema de vida e morte.
Eu te amo pelo que se repete
e que nunca é igual.
Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.
Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa.
Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defenda
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor
vacila.
...para o Dr. Dent, de Londres (...), força de vontade realmente não existe, você tem que chegar a um estado mental em que não quer ou não precisa da droga que for.
Quando criança, tinha visto um vagabundo se aproximar para pedir um pedaço de torta à sua mãe, e ela o deu, e quando o vagabundo sumiu na estrada, o garoto, ainda pequeno, perguntou:
- Mãe, quem era esse homem?
- Ora, um vagabundo.
- Mama, quando crescer também quero ser vagabundo.
- Não diga bobagens, menino. Um Hazard não nasceu
para isso. - Mas ele jamais esqueceu aquele dia, e quando cresceu, depois de jogar futebol durante uma curta temporada na LSU, se tornou, de fato, um vagabundo.
Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos
O álcool leva à previsibilidade. (...) Na verdade, o que ele mais gosta nesse barzinho sujo, um dos vários que freqüenta, é que ninguém jamais o vai procurar ali, nem incomodá-lo. Ele pode ver tudo e andar por onde quiser, que continua sozinho com sua bebida. Mas isso agora é quase dolorosamente uma força de expressão; há muito tempo ninguém o procura ou se incomoda com ele em lugar algum.
Eu não tinha interesses. Não tinha interesse em nada. Não tinha idéia de como iria escapar. Pelo menos, os outros tinham algum gosto pela vida. Pareciam entender algo que eu não entendia. Talvez eu estivesse por fora. Era possível. Eu freqüentemente me sentia inferior. Só queria ir pra longe deles. Mas não havia nenhum lugar para se ir. Suicídio? Jesus Cristo, apenas mais trabalho ainda. Sentia vontade de dormir uns cinco anos seguidos...
Se te casas, arrependes-te; se não te casa, arrependes-te também; cases-te ou não te cases, arrependes-te sempre. Ri-te das loucuras do mundo e irás arrepender-te; chora sobre elas, e arrependes-te também; ri-te das loucuras do mundo ou chora sobre elas, e de ambas as coisas te arrependes; quer te rias das loucuras do mundo, quer chores sobre elas irás sempre arrepender-te. Acredita numa mulher, e irás arrepender-te, não acredites nela e arrependes-te também; acredites ou não numa mulher, arrependes-te de ambas as coisas. Enforca-te, e arrependes-te; não te enforques, e na mesma te arrependes. É esta, meus senhores, a soma e substância de toda a filosofia.